Friday, August 26, 2005

Um Céu frágil e um Inferno iminente.

Era tão lindo, mas tão tão lindo! que eu sentia vontade de berrar cobiça e escalar as montanhas mais altas do descaso por pura inveja. Ele espalhava pelo ar algo tão belo e torrencial que poderia atravessar meus poros e penetrar nas minhas carnes, não fosse tão agudo e doloroso, principalmente: incompatível. Não podia ser refletido nas minhas células e isso me matava! Eu podia ouvi-lo dizer que eu ficava bem melhor daquele jeito que eu estava, de joelhos. E a sonância era tão perfeita e aveludada que humilhava a voz da Joni Mitchell 152 vezes. Eu o amava com tanta força, porque, veja bem, tudo nele era tão fácil de ser amado. Subitamente, eu sentia todo o meu amor se esvair e ser substituido pelo ódio mais cruel que já foi sentido. E aí, esses sentimentos iam se mesclando e se debatendo dentro de mim... eu já não sabia onde eu começava e aquela barbárie-tão-bela-de-vida terminava. Eu só sabia que não havia espaço para a indiferença ali. Esse tipo de coisa a gente aprende vivendo (e olha só eu dizendo como se tivesse vivido desde sempre). Minha boca se movia, débil, quase imperceptivelmente: "Don't leave me, i'm hurting", sussurrei. Um amor tão frágil e um ódio iminente causado pela possibilidade de recusa.
Ele nunca seria meu...

4 Comments:

Anonymous Anonymous said...

pj harvey ? (olhos de espanto, esbugalhados como devem ser...)

10:31 AM  
Anonymous Aída said...

pois é!

12:28 PM  
Blogger tatá lima said...

só uma frasesinha insignificante no texto... =P

5:44 PM  
Anonymous Anonymous said...

isso tudo me dá medo.

Ciba

6:57 PM  

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