Thursday, August 27, 2009

Pelo telefone a voz dele tocava todo o meu corpo, adentrando-se em minhas células sem pedir licença, deslizando pelo meu íntimo e rebrotando na superfície da pele com a glória dos que voltam. Foi com o coração latejando e as mãos geladas afundadas no peito que esqueci de dizer o quanto sentia saudades. Só nos encontramos quando estamos com a cabeça no mundo da lua, a nossa conexão tão secreta: em qualquer lugar que estivermos basta olharmos a lua e saberemos que estamos olhando para o mesmo lugar. Eu-ele: meu lugar preferido, meu sabor preferido. O que sinto não tem nome, mas já foi confundido com pérolas, já foi confundido com o infinito da música, com o vazio da solidão. Na seqüência abstrata de momentos de minha vida e na riqueza explícita de cada estação eu espero por ele e por todas as rainhas que habitam cada cubículo de sua existência.

3 Comments:

Blogger Ligia said...

Eu juro q fico encabulada... Depois da Clarice, vc é a melhor =)
bjos

12:53 PM  
Blogger Bruno Abdala said...

Também fiquei encabulado. E não se trata de duvidar de nada, mas fiquei surpreso com sua sensibilidade para as narrativas do blog. Jonhy, gostei mesmo.... como eu ainda não havia descoberto? quero ler muito mais coisas. Beijos.

2:47 PM  
Blogger Manifestante said...

Oi prima, brigado pela visita. Lá tá tão abandonado, não tenho encontrado tempo para escrever (desculpas). Passo aqui de vez em quando, não deixo recado por timidez (mais desculpas). Seus textos têm me impressionado muito pela maturidade e profundidade. Parabéns mesmo!
Beijo

3:09 PM  

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